BOCHA CASA D’ITALIA JF: tradição, amizade e legado cultural em movimento
BOCHA CASA D’ITALIA JF: tradição, amizade e legado cultural em movimento Entre as muitas expressões culturais herdadas da imigração italiana e preservadas ao longo das gerações, poucas carregam de forma tão simbólica os valores da convivência, da amizade e da tradição quanto a bocha. Mais do que uma modalidade esportiva, a prática representa encontros, histórias compartilhadas e uma forte ligação com as raízes culturais de inúmeras famílias italianas espalhadas pelo Brasil. Foi dentro desse espírito que nasceu a BOCHA CASA D’ITALIA JF, um projeto que une esporte, cultura e integração social, mantendo viva uma tradição que atravessou oceanos e gerações até chegar a Juiz de Fora. A história da modalidade dentro da instituição possui raízes profundas. A Casa D’Italia foi pioneira na prática da bocha em Juiz de Fora, ainda na década de 1940, quando imigrantes italianos passaram a cultivar o esporte como forma de integração e convivência. Após um período distante das competições oficiais, a modalidade foi resgatada em 2017, devolvendo à instituição uma importante parte de sua memória esportiva e cultural. Desde então, a equipe voltou a ocupar espaço de destaque no cenário estadual e nacional da modalidade. Mais do que buscar resultados esportivos, o projeto foi concebido para fortalecer vínculos humanos, estimular o convívio entre gerações e preservar uma tradição histórica. Mas o compromisso e a dedicação do grupo também passaram a ser reconhecidos dentro das canchas. Ao longo de sua trajetória recente, a equipe acumulou importantes resultados que passaram a integrar sua história: Principais conquistas e destaques Campeã do Campeonato Mineiro de Equipes (2021) — principal competição do calendário estadual, garantindo vaga para representar Minas Gerais na Taça Brasil de Clubes. Campeã da Copa Evaristo Silva Filho (2018) — uma das primeiras grandes conquistas após a retomada do projeto. Campeã do Campeonato Mineiro de Duplas Mistas (2019). Campeão Mineiro Individual com Francis Cipriani (2022). Conquista nacional no Bolim de Ouro Brasil, quando o atleta Valdecir Garcia, representando a Casa D’Italia JF, tornou-se campeão de uma das mais importantes competições da modalidade no país. Além dos títulos, a equipe também conquistou resultados expressivos em competições estaduais: Vice-campeã do Campeonato Mineiro de Trios • Vice-campeã do Campeonato Mineiro de Duplas • Vice-campeã do Campeonato Mineiro de Equipes em diferentes temporadas • Participações na Taça Brasil de Clubes e no tradicional Bolim de Ouro Brasil, reunindo atletas entre os melhores do país. As conquistas também passaram a ganhar destaque na imprensa esportiva regional e estadual, com manchetes que registraram momentos importantes da trajetória do grupo: “Casa D’Italia JF é campeã por equipes no Campeonato Mineiro de Bocha” “Bocha Casa D’Italia JF conquista o Campeonato Mineiro de Equipes” “Trio de Juiz de Fora é vice-campeão do Campeonato Mineiro de Bocha” “Bocha Casa D’Italia JF avalia positiva participação no Bolim de Ouro Brasil” Esses resultados reforçam algo que vai além das medalhas e troféus: a preservação de uma herança cultural construída ao longo de décadas. Compartilhar: Deixe uma respostaCancelar resposta
GALERIA CASA D’ITALIA: um espaço criado para conectar
GALERIA CASA D’ITALIA: um espaço criado para conectar Em meio à missão de preservar, difundir e valorizar a herança cultural italiana em Juiz de Fora, nasceu um projeto pensado para ampliar diálogos, aproximar artistas e transformar encontros em experiências: a GALERIA CASA D’ITALIA. Mais do que um espaço expositivo, a Galeria surgiu a partir da percepção de que a cultura se fortalece quando encontra locais vivos, abertos e acessíveis para acontecer. Ao longo dos anos, a Casa D’Italia consolidou sua atuação por meio de cursos, eventos, palestras, manifestações artísticas e projetos culturais. Dentro desse movimento, tornou-se natural pensar em um ambiente dedicado especialmente às artes visuais e às múltiplas formas de expressão criativa. A criação da GALERIA CASA D’ITALIA representa um passo importante nessa trajetória. O projeto nasceu do desejo de transformar o prédio histórico da instituição em um espaço ainda mais dinâmico, capaz de acolher artistas locais e regionais, estimular novas produções e promover encontros entre diferentes olhares, linguagens e gerações. Idealizado e assinado por Rafael Moreira Teixeira, Diretor de Marketing, e Thaiana Fernandes Pinto Gomes, Diretora de Cultura da Associação Casa de Itália, o projeto foi concebido a partir da união entre estratégias de comunicação, valorização da memória institucional e fortalecimento das ações culturais desenvolvidas pela entidade. A proposta buscou transformar a Casa D’Italia em um espaço ainda mais aberto à produção artística, ampliando oportunidades e aproximando a comunidade de experiências culturais diversas. A proposta sempre foi clara: criar uma galeria que não se limitasse a paredes ocupadas por obras, mas que funcionasse como um ponto de conexão entre pessoas, histórias e sensibilidades. Um espaço onde a arte pudesse dialogar com a memória da imigração italiana, com a produção contemporânea e com a diversidade cultural presente em nossa cidade. Ao longo de sua trajetória, a GALERIA CASA D’ITALIA passou a materializar essa proposta por meio de exposições que reuniram diferentes estilos, técnicas e perspectivas artísticas. O espaço teve a honra de receber trabalhos e projetos de artistas como Iriê Salomão Campos, Guido Boletti, Daniel Boscone, Samara Danelon, Rámon Brandão, Camila Oliveira e Rogério de Deus, entre diversos outros talentos que encontraram na Galeria um ambiente de expressão e diálogo cultural. Entre as exposições marcantes, destacam-se projetos como “Sankofa: Futuro Ancestral”, de Andressa Silva, que promoveu reflexões sobre ancestralidade, identidade e pertencimento; a exposição “A experiência fotográfica na percepção do lugar”, de Patrícia de Oliveira, que convidou o público a observar a relação entre espaço, memória e sensibilidade através do olhar fotográfico; e a exposição “Lugares vistos e sonhados”, de Jean Michel, apresentando ao público interpretações que transitam entre o real e o imaginário. A presença desses artistas e de tantas outras iniciativas reforça um dos principais objetivos do projeto: valorizar a produção artística local e regional, ampliar oportunidades para criadores e fortalecer a rede cultural de Juiz de Fora. Mais do que uma iniciativa cultural, a Galeria representa uma ideia: a de que espaços históricos podem se reinventar sem perder suas raízes, transformando tradição em movimento e memória em futuro. A GALERIA CASA D’ITALIA nasce e se consolida, assim, como um convite permanente: entrar, observar, sentir, refletir e descobrir novas histórias por meio da arte. Porque a cultura também se constrói criando espaços onde ela possa continuar viva. Compartilhar: Deixe uma respostaCancelar resposta
FESTA D’ITALIA: a celebração que transformou tradição, encontros e cultura em uma grande experiência italiana em Juiz de Fora
FESTA D’ITALIA: a celebração que transformou tradição, encontros e cultura em uma grande experiência italiana em Juiz de Fora Algumas iniciativas nascem como eventos. Outras nascem como sonhos. A FESTA D’ITALIA – A Festa Italiana de Juiz de Fora surgiu justamente da união entre esses dois elementos: o desejo de criar uma experiência capaz de celebrar a herança italiana presente na cidade, valorizar sua história e proporcionar um grande encontro entre cultura, gastronomia, música, memória e comunidade. Idealizada como um espaço de conexão entre passado e presente, a Festa D’Italia nasceu com a proposta de ir além de uma festividade tradicional. Desde o início, o objetivo foi construir um evento que pudesse representar a força da presença italiana em Juiz de Fora, cidade marcada pela contribuição de imigrantes e descendentes que ajudaram a escrever importantes capítulos de sua história. Mas antes mesmo de ganhar forma, estrutura e público, existiu algo essencial para sua existência: a união de pessoas, experiências e instituições que acreditaram no projeto desde sua concepção. A FESTA D’ITALIA só se tornou realidade a partir da convergência de três grandes forças, que uniram propósito, criatividade, estrutura e a vontade de construir algo novo para a cidade. A primeira delas foi a Associação Casa de Itália, responsável por chancelar e apoiar institucionalmente o evento, fortalecendo a iniciativa através de sua missão de preservação e difusão da cultura italiana em Juiz de Fora e região. Além do apoio institucional, a atuação da Associação Casa de Itália foi essencial na construção de conexões que ampliaram o alcance e a força do projeto. Foi também através da instituição que se estabeleceu a ponte necessária para a aproximação e apoio de importantes entidades ligadas à comunidade italiana e ao intercâmbio cultural, como a COMITES MG e a Associação Ponte Entre Culturas, fortalecendo ainda mais o caráter de integração e valorização cultural da Festa D’Italia. Ao longo das edições, essas parcerias contribuíram para agregar conhecimento, representatividade e novas perspectivas ao evento, reforçando seu compromisso com a preservação da memória e a construção de diálogos entre culturas. Nesse contexto, a presença de Fábio Fasoli passou a se tornar também parte importante da história da Festa D’Italia. Com seu carisma, sua atuação próxima às comunidades e seu amor pela integração entre as culturas brasileira e italiana, Fábio tornou-se uma figura marcante dentro do evento. Sua participação ultrapassou o papel institucional, transformando-se em uma representação do próprio espírito da festa: a construção de pontes, o fortalecimento de vínculos e a valorização das conexões humanas através da cultura. Somou-se a isso a atuação da DUPLO Estúdio de Criação, coordenada por Thaiana Fernandes P. Gomes, Paola M. Frizero Schaeffer e Rafael Moreira Teixeira, desempenhando um papel essencial na concepção, desenvolvimento criativo e construção da identidade da FESTA D’ITALIA. Mais do que atuar na criação visual do projeto, a DUPLO participou diretamente da elaboração conceitual do evento, contribuindo para transformar uma ideia inicial em uma experiência cultural com personalidade própria. O trabalho desenvolvido envolveu a definição de linguagem, posicionamento, narrativa, comunicação e elementos capazes de criar uma conexão genuína entre o evento e a comunidade. Foi através dessa construção que a Festa D’Italia passou a desenvolver uma identidade reconhecível, fortalecendo sua proposta de unir tradição, memória e contemporaneidade em uma experiência que ultrapassa a realização de um evento e se transforma em uma celebração cultural com significado e propósito. Ao lado dessa construção esteve a 360 Ideias Marketing & Eventos, sob a liderança de Arthur Maselli, atuando como Produtor Executivo e desempenhando um papel decisivo para transformar o projeto em realidade. Mais do que apoiar a operacionalização do evento, a empresa participou ativamente da estruturação, planejamento, coordenação e execução da Festa D’Italia, colaborando diretamente para a organização dos processos, articulação de parceiros, desenvolvimento operacional e para a construção de uma experiência que pudesse crescer e se consolidar a cada edição. A atuação da 360 Ideias foi fundamental para dar sustentação prática ao projeto, permitindo que aquilo que inicialmente era uma proposta idealizada se tornasse uma grande celebração cultural capaz de alcançar milhares de pessoas. Foi dessa união entre instituição, criatividade e produção executiva que nasceu uma iniciativa que, posteriormente, se tornaria uma das mais importantes celebrações culturais ligadas à presença italiana na cidade. Mais do que uma festa, a proposta sempre esteve ligada à ideia de fortalecer identidades, promover experiências culturais e criar um espaço onde tradição e contemporaneidade pudessem caminhar lado a lado. Os primeiros passos: as duas primeiras edições no Museu Ferroviário As primeiras edições da FESTA D’ITALIA encontraram seu espaço no estacionamento do Museu Ferroviário de Juiz de Fora, local que recebeu o evento em seus primeiros anos e serviu como cenário para os passos iniciais de uma iniciativa que rapidamente conquistaria o público. Foi ali que a festa começou a ganhar forma e identidade. Entre apresentações culturais, música, gastronomia típica, dança, exposições e encontros entre famílias e amigos, a proposta começou a demonstrar seu potencial de crescimento. As duas primeiras edições ajudaram a consolidar uma característica que se tornaria uma marca do evento: a capacidade de unir diferentes públicos em torno da cultura italiana, aproximando descendentes, admiradores da Itália e a comunidade em geral. Ao mesmo tempo, a Festa D’Italia também passou a se tornar um espaço importante para a valorização de artistas locais, grupos culturais, palestras, manifestações tradicionais e iniciativas ligadas à memória da imigração italiana. Uma nova experiência: a terceira edição no Mercado Municipal Com o crescimento do evento e novas possibilidades surgindo, a terceira edição ganhou um novo cenário: o Mercado Municipal de Juiz de Fora, recém-reformado e entregue à população. O novo espaço trouxe uma atmosfera diferente para a festa, unindo a energia da celebração italiana a um local que rapidamente se consolidou como ponto de convivência e valorização cultural da cidade. A mudança ampliou experiências, aproximou ainda mais o público e reforçou a capacidade da Festa D’Italia de ocupar espaços relevantes da cidade, mantendo sua essência: celebrar cultura, memória e encontros. A quarta edição: o retorno às
Grupo de Dança Folclórica Italiana Tarantolato: 26 anos de tradição, cultura e movimento
Grupo de Dança Folclórica Italiana Tarantolato: 26 anos de tradição, cultura e movimento No dia 31 de maio deste ano, o Grupo de Dança Folclórica Italiana Tarantolato celebra uma marca especial: 26 anos de história. Mais do que uma data comemorativa, este momento representa a celebração de uma trajetória construída com dedicação, paixão pela cultura italiana e compromisso com a preservação das tradições. Ao longo de mais de duas décadas, o Tarantolato transformou-se em muito mais do que um grupo de dança. Tornou-se um espaço de encontros, aprendizado, amizade e pertencimento, reunindo gerações que compartilham o desejo de manter viva uma herança cultural que atravessa o tempo. A história do grupo começou a ser construída através da iniciativa e dedicação de Mariza Fernandes, fundadora do Grupo Tarantolato, cuja atuação foi essencial para dar forma a um projeto que nascia do desejo de promover, preservar e difundir a riqueza das tradições italianas. Seu trabalho, conduzido com dedicação e sensibilidade cultural, ajudou a construir bases sólidas que permitiram ao grupo crescer e se consolidar ao longo dos anos. Desde sua criação, o Tarantolato assumiu uma missão clara: levar ao público a riqueza da cultura popular italiana através da dança, da música, dos figurinos e das histórias presentes em cada apresentação. Cada coreografia carrega elementos que representam diferentes regiões da Itália, traduzindo em movimento aspectos históricos, culturais e sociais que atravessam gerações. Ao longo de sua jornada, o Grupo de Dança Folclórica Italiana Tarantolato consolidou-se como o grupo de dança folclórica italiana mais longevo em atividade ininterrupta em Minas Gerais, tornando-se referência na promoção da cultura italiana dentro e fora de Juiz de Fora. Mas a caminhada do Tarantolato nunca se limitou aos palcos. Durante esses 26 anos, inúmeros projetos, apresentações, festivais, encontros culturais e ações de valorização da memória da imigração italiana ampliaram a atuação do grupo e fortaleceram sua conexão com a comunidade. Mais do que apresentações artísticas, o Tarantolato desenvolveu uma trajetória marcada pelo intercâmbio cultural e pela construção coletiva. Um importante elemento dessa história também é o apoio permanente da Associação Casa de Itália, instituição que acolhe e fortalece as atividades do grupo ao longo dos anos. Essa parceria representa muito mais do que suporte institucional: ela se tornou parte fundamental da continuidade do trabalho desenvolvido pelo Tarantolato. É também na Casa D’Italia, em seu prédio histórico localizado na Avenida Barão do Rio Branco, nº 2585, Centro, em Juiz de Fora, que acontecem os ensaios do grupo aos domingos, transformando o espaço em um verdadeiro ponto de encontro entre cultura, tradição e convivência. Entre passos ensaiados, músicas e reencontros, o local mantém viva a essência do grupo e reforça o papel da Casa D’Italia como um importante espaço de preservação e difusão cultural. Além das apresentações, o grupo também se consolidou como um instrumento de formação cultural, despertando em novos integrantes o interesse pelas tradições italianas e proporcionando experiências que vão muito além do aprendizado coreográfico. O processo envolve conhecer histórias, compreender contextos culturais e criar laços que permanecem para além dos ensaios. Ao longo dessa trajetória, muitas pessoas passaram pelo Tarantolato. Algumas participaram de momentos específicos; outras fizeram do grupo parte importante de suas vidas. Todas, de alguma forma, contribuíram para escrever essa história. Celebrar os 26 anos do Grupo de Dança Folclórica Italiana Tarantolato é reconhecer o trabalho de fundadores, coordenadores, dançarinos, colaboradores, familiares, apoiadores e do público, que ajudaram a construir uma caminhada marcada pela paixão e pelo compromisso com a cultura. Mais do que olhar para o passado, esta celebração também representa um olhar para o futuro. Porque a essência do Tarantolato sempre esteve em movimento. E depois de 26 anos, cada novo passo continua sendo uma forma de manter viva a cultura italiana, aproximando pessoas e mostrando que tradição, memória e futuro podem continuar dançando juntos. Compartilhar: Deixe uma respostaCancelar resposta
Revista Casa D’Italia: como nasceu um projeto de conexão, cultura e memória
Revista Casa D’Italia: como nasceu um projeto de conexão, cultura e memória Em tempos de incertezas, alguns projetos surgem justamente da necessidade de aproximar pessoas. Foi desse desejo de manter viva a cultura, fortalecer laços e criar novas formas de encontro que nasceu a Revista Casa D’Italia, um projeto cultural idealizado durante um dos períodos mais desafiadores da história recente: a pandemia. Com atividades presenciais limitadas e a necessidade de reinventar formas de comunicação, surgiu uma pergunta fundamental: como continuar promovendo a cultura, compartilhando conhecimento e mantendo a comunidade conectada, mesmo à distância? A resposta começou a tomar forma por meio de uma publicação que pudesse reunir histórias, arte, memória, informação e identidade. A concepção da Revista Casa D’Italia foi idealizada por Rafael Moreira Teixeira, juntamente com Paola M. Frizero Schaeffer, Thaiana Fernandes P. Gomes e Rafael de Souza Bertante, que uniram ideias, experiências e visões em torno de um propósito comum: criar um espaço acessível para a valorização da cultura italiana e também para a divulgação da produção artística e cultural local. Mais do que um periódico, a revista foi pensada como um ambiente de encontros. Desde sua origem, a proposta não se limitava apenas a falar sobre a Itália ou suas tradições. O objetivo era estabelecer pontes entre diferentes manifestações culturais, resgatar memórias da imigração italiana em Juiz de Fora e região, abrir espaço para artistas, pesquisadores, escritores e colaboradores, além de estimular novas discussões e reflexões. Outro aspecto importante que acompanhou a revista desde o início foi seu compromisso com a democratização do acesso à cultura. A Revista Casa D’Italia nasceu e permanece como um periódico totalmente gratuito, permitindo que mais pessoas tenham contato com conteúdos culturais de qualidade, sem barreiras de acesso. Ao longo de sua trajetória, a publicação consolidou-se como uma importante ferramenta de difusão cultural ligada à Casa D’Italia, contribuindo para preservar histórias, registrar iniciativas e ampliar a visibilidade de projetos e ações desenvolvidos pela instituição e por seus parceiros. O que começou como uma ideia construída em meio ao isolamento transformou-se em um registro permanente de memórias, encontros e expressões culturais. A Revista Casa D’Italia tornou-se mais do que páginas e conteúdos: tornou-se uma forma de manter viva a essência de uma comunidade que acredita na cultura como instrumento de aproximação, pertencimento e construção de identidade. Cada edição representa a continuidade dessa proposta — a de criar conexões entre passado e presente, entre tradição e contemporaneidade, entre pessoas e suas histórias. Porque a cultura, quando compartilhada, continua encontrando caminhos para seguir adiante. Compartilhar: Deixe uma respostaCancelar resposta
O Hino de Juiz de Fora entre leis e como instrumento de aprendizagem

Revista Casa D’Italia O Hino de Juiz de Fora entre leis e como instrumento de aprendizagem Edylane Eiterer 2025, n°40 – ISSN: 2764-0841 | Juiz de Fora, Minas Gerais Resumo: Na cidade de Juiz de Fora, por diversas vezes, o hino municipal foi alvo de leis que inseriram sua execução nos ambientes escolares, eventos políticos e esportivos, regulamentaram sua forma de canto e até vincularam essas leis ao caráter didático-pedagógico, mas, efetivamente, faltam orientações para esse uso, sem contar que tampouco se evidenciam o fato de sua melodia ser de autoria de um compositor negro. O hino municipal, assim como os demais símbolos municipais podem ser potentes ferramentas para o ensino de História Local e de Educação Patrimonial quando devidamente explorados com os estudantes e, é sobre esta possibilidade que esse se trata esse texto. Palavras-chave:Hino de Juiz de Fora. Educação Patrimonial. Ensino de História. História local. Abstract: In the city of Juiz de Fora, on several occasions, the municipal anthem was the target of laws that included its performance in school environments, political and sporting events, regulated its form of singing and even linked these laws to the didactic-pedagogical character, but, effectively , there is a lack of guidelines for this use, not to mention that there is no evidence of the fact that its melody is written by a black composer. The municipal anthem, as well as other municipal symbols, can be powerful tools for teaching Local History and Heritage Education when properly explored with students, and it is this possibility that this text is about. Key words: Anthem of Juiz de Fora. Heritage Education. History Teaching. Local History. *** Adotar o hino da cidade de Juiz de Fora como recurso de investigação e análise da História Local é uma perspectiva mais plural dos saberes locais e da participação mais efetiva dos estudantes como agentes culturais. Em geral, o hino de uma cidade é um dos vários gêneros textuais líricos que permite um olhar sobre a cidade “como eixo de estudo na história, aproximando os alunos do caráter transdisciplinar desse tema” (Oliveira, 2012, p. 104). Dentro do tema, passíveis de abordagens de estudos a partir do hino municipal, tem-se: as temporalidades, os espaços, as relações de produção e sociais, além do vocabulário, permitindo que os estudantes percebam as transformações, as continuidades, as rupturas e a relação entre o passado e o presente. O hino da cidade de Juiz de Fora, ou Marcha à Juiz de Fora, tem como autores Lindolfo Gomes, letrista, e Cincinato Duque Bicalho, compositor da música, e apresenta a cidade com o seu esplendor da época. Os autores são Lindolfo Gomes, que nasceu em 1875 na cidade de Guaratinguetá, São Paulo, e fez carreira como professor, jornalista, folclorista, poeta e filólogo, e membro fundador da Academia Brasileira de Letras, que faleceu em 1953; e Cincinato Duque Bicalho, que nasceu em Teófilo Otoni, em 1887, e viveu em Juiz de Fora. Homem negro, filho de uma família negra que ascendeu socialmente, em 1906 se formou no antigo Instituto Nacional de Música, atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e atuou como maestro, compositor e professor de música. Duque Bicalho viveu em um “período marcado por uma nova configuração das relações sociais e raciais, identitárias e de poder, (re)desenhada no país depois de séculos nos mundos da escravidão” (Ribeiro, 2019, p. 131), em uma sociedade imersa no racismo e com hierarquias raciais. Como maestro, professor e músico experiente, Duque dedicou-se ao ensino de música em escolas primárias e na formação de professores e, no ano de 1967, recebeu o título de Personalidade Juiz-forana e, em 1974, recebeu a Comenda Henrique Halfeld, falecendo em 1975. Conhecer um pouco dos autores permite estabelecer as suas relações, por exemplo, com a Educação do município. O pai de Duque Bicalho, Torquato Bicalho, e sua irmã, Áurea Bicalho, fundaram, em 1905, o Colégio Delfino Bicalho, que funcionou por cerca de cinquenta anos, onde Duque Bicalho e Lindolfo Gomes atuaram como professores, de acordo com o jornal O Pharol, em 14/03/1915. Os autores pertenciam à elite social e apresentavam uma visão específica de seu grupo, o que pode ser percebido com uma análise da letra. Em seus versos iniciais, “Viva a princesa de Minas / Viva bela Juiz de Fora”, têm-se exaltadas as suas belezas e um tom de realeza ao atribuir-lhe a alcunha de Princesa de Minas, como a cidade é conhecida até os dias de hoje. Seus aspectos culturais e econômicos, relacionados ao processo de industrialização, são expressos nos versos seguintes: “Que caminha na vanguarda / Do progresso estrada afora! / Das cidades brasileiras / Sendo a mais industrial, / Na cultura e no trabalho / Não receia outra rival”. Juiz de Fora reconhecidamente vivenciou um processo de industrialização que a colocou em destaque no Estado de Minas Gerais, inclusive dando-lhe o título de Manchester Mineira. Nos anos finais do século XIX e início do século XX, a cidade era marcada pela presença das indústrias, da energia elétrica e pela implementação de tecnologias em vários setores produtivos. Outros apelidos podem ser explorados a partir desse pioneirismo industrial, como “Farol de Minas” ou “Farol da América”, em alusão à construção e inauguração da primeira usina hidrelétrica da América do Sul, a Usina Hidrelétrica de Marmelos, em 1889, um empreendimento de Bernardo Mascarenhas para suprir as demandas de sua companhia têxtil, e cujo excedente de eletricidade era destinado à iluminação das vias públicas a partir de autorização da Câmara Municipal. No âmbito da cultura, a cidade destacou-se com o primeiro teatro de Minas com cinema, o Cine Theatro Central, além do primeiro museu do Estado, o Museu Mariano Procópio. No trecho “Demos palmas, demos flores / Aos encantos da Princesa! / Ela é rica de primores / Da poesia e da beleza. / É a cidade aclamada, / Do trabalho e da instrução”, novamente destacam-se as qualidades culturais da cidade. A imprensa era muito ativa, com a inauguração do seu primeiro jornal impresso, O Imparcial, em 1870. O jornal mais ativo do
Ressignificação da memória e imagens do crescimento em “p – pessoa”, de Maria Grazia Calandrone

Revista Casa D’Italia Ressignificação da memória e imagens do crescimento em “p – pessoa”, de Maria Grazia Calandrone Carolina de Oliveira Barreto e Hellen Karla Almeida 2025, n°40 – ISSN: 2764-0841 | Juiz de Fora, Minas Gerais Resumo: Este artigo pretende fazer uma breve leitura de “p – pessoa”, poema da autora italiana contemporânea Maria Grazia Calandrone. Nesta leitura também será discutida a relação entre as imagens poéticas construídas pela autora e o conceito de experiência proposto por Jorge Larrosa no primeiro capítulo do livro Tremores: escritos sobre experiência Palavras-chave:Maria Grazia Calandrone. Experiência. Memória. Ressignificação. Abstract: This paper intends to do a brief reading of “p – person”, a poem by the contemporary Italian author Maria Grazia Calandrone. In this reading the connection between the poetic images constructed by the poet and the concept of experience proposed by Jorge Larrosa in the first chapter of the book Tremors: writtings about experience will also be discussed. Key words: Maria Grazia Calandrone. Experience. Memory. Resignification. *** Há poucos anos, Maria Grazia Calandrone, autora italiana contemporânea, teve suas primeiras obras traduzidas para a língua portuguesa no Brasil. Em 2022, Brilha como vida, livro em prosa, foi publicado pela Editora Relicário, com tradução de Patricia Peterle e Andrea Santurbano. Nesse mesmo ano, A vida inteira, livro de poemas, foi lançado pela Editora Urutau, com tradução de Patricia Peterle. Neste artigo, realizaremos uma breve análise do poema “p – pessoa”, presente no segundo livro mencionado anteriormente: “Uma pessoa é o que resta quando está distante”, [isso já escrevi. Eu estou aqui e te faço falta, porque lembro só daquilo que faz bem lembrar: peneirei o ouro da minha vida, o ouro da areia da infância, quando minha mãe me levava à praia e [eu olhava por horas como reluz o mar dos promontórios. Não adianta [lembrar quando o amor se transforma em monstro. Não [adianta lembrar quantas vezes eu já morri enquanto estava viva. Não adianta lembrar do abandono. Uma pessoa é aquilo que ela contém depois de a vida ter trabalhado a tora da vida até a medula, até dela fazer um barco levíssimo que se mantém no mar sob qualquer céu. Eu me lembro apenas do reluzir a perder de vista da minha vida. Se olhar bem, verá uma coisa viva. Se olhar bem, verá que agora finalmente estou só viva. Roma, 31 de dezembro de 2018 (Calandrone 2022, 117 Começaremos nossa leitura pelo título, que se mostra bastante instigante devido à sua composição: a letra “p” é separada da palavra “pessoa” por um travessão, escolha estética que sugere múltiplas possibilidades de interpretação e prepara o leitor para os diversos caminhos que poderão ser percorridos ao longo do poema. A hipótese que adotamos parte de uma análise da sonoridade do fonema [p] e dos sentidos que ele suscita. Esse fonema é uma consoante oclusiva bilabial desvozeada (Cristófaro, 2003, p. 37), com total restrição à passagem do ar. Isso pode ser comprovado ao tentarmos pronunciar o [p] isoladamente, sem acompanhá-lo de uma vogal: o ar fica preso na boca e o som da consoante não se produz até que seja unido ao de uma vogal, o que, então, permite a passagem do ar e a emissão sonora, como em [pe], no início da palavra “pessoa”. Em vista disso, associamos essa explosão sonora ao nascimento, compreendido aqui não apenas como início da vida, mas também como espaço de ressignificação da experiência, mediada pela memória no poema em análise. Nele, as palavras “vida” e “viva” se repetem, apontando para sucessivos (re)nascimentos simbólicos que atravessam as experiências vividas pelo eu lírico. Segundo Jorge Larrosa (2015, p. 18), a “experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece.” Com isso, compreendemos que, Se a experiência não é o que acontece, mas o que nos acontece, duas pessoas, ainda que enfrentem o mesmo acontecimento, não fazem a mesma experiência. O acontecimento é comum, mas a experiência é para cada qual sua, singular e de alguma maneira impossível de ser repetida. O saber da experiência é um saber que não pode separar-se do indivíduo concreto em quem encarna. (Larrosa 2015, 32). Considerando esse caráter singular e corpóreo da experiência, propomos que o corpo também se torna uma fonte de significação daquilo que nos acontece, ao mesmo tempo em que é afetado pela própria experiência, reconstruindo sentidos para si e para o que se passa em nós. Contudo, é necessário afirmar que a significação da experiência não é imutável. Por isso, a memória desempenha um papel importante nos processos de ressignificação do vivido, já que, ao tentarmos repetir ou reviver o que um acontecimento despertou em nós, acabamos por modificar seu significado anterior, conforme o saber construído a partir das demais experiências vivenciadas ao longo do tempo. Desse modo, a relação entre memória e experiência é importante para a continuidade desta análise, já que partimos do pressuposto de que a memória seria uma forma de entrarmos em contato novamente com a experiência vivida, sem ser, de fato, uma repetição do momento em que essa se deu. A memória seria, então, uma forma de relembrar uma dada experiência e de ressignificá-la por meio dos saberes singulares construídos a partir de experiências diferentes daquela que é rememorada. Essa hipótese se confirma ao analisarmos a criação de duas importantes imagens poéticas presentes nos seguintes versos: “peneirei o ouro/da minha vida” e “a vida/ter trabalhado a tora da vida/até a medula” (Calandrone, 2022, p. 117). “Peneirar o ouro da vida” e “trabalhar a tora da vida” são imagens elaboradas a partir das experiências que remetem ao processo de amadurecimento do eu lírico. Além disso, esses versos apontam para a transformação da compreensão do mundo ao longo da existência humana. O verbo peneirar possui, entre seus sentidos, o de selecionar. Ao lermos o poema como um todo, torna-se evidente o trabalho de ressignificação da experiência vivida, no qual o eu lírico
Exposição XX
Exposição CASA D’ITALIA – Memória, Imigração e Patrimônio A Casa de Itália, em Juiz de Fora, apresenta a exposição “CASA D’ITALIA – Memória, Imigração e Patrimônio”, com o objetivo de valorizar a presença italiana na construção da identidade cultural do município. A mostra reúne fotografias do acervo de Márcio Arcuri e da Associação Casa de Itália, com curadoria de Rafael Moreira Teixeira e Thaiana Fernandes Pinto Gomes, em parceria com o DUPLO Estúdio de Criação. A iniciativa destaca não apenas aspectos visuais e arquitetônicos, mas também propõe uma imersão na história e nas memórias ligadas à imigração italiana na cidade. Mais do que um registro documental, a exposição evidencia o valor simbólico do edifício da Casa de Itália, reconhecido como um dos principais marcos da presença italiana em Juiz de Fora. Erguido com a proposta de ser um espaço de acolhimento, cultura e convivência, o local se consolidou ao longo do tempo como ponto de encontro da comunidade ítalo-brasileira, preservando tradições e fortalecendo vínculos entre gerações. As imagens apresentadas na mostra ajudam a reconstruir parte dessa trajetória, revelando diferentes momentos vividos no espaço e ressaltando sua importância para a vida social e cultural da cidade. O acervo exposto também contribui para ampliar o entendimento sobre o papel dos imigrantes italianos no desenvolvimento urbano e cultural do município. A exposição convida o público a refletir sobre a importância da memória coletiva e da preservação do patrimônio histórico. Ao mesmo tempo, presta homenagem à contribuição dos imigrantes italianos e de seus descendentes, cuja influência permanece presente em diversos aspectos da cultura local, como na gastronomia, nas tradições e nas manifestações culturais. Aberta à visitação, a mostra reforça o compromisso da Casa de Itália com a valorização da história e da identidade cultural de Juiz de Fora, promovendo o diálogo entre passado e presente por meio da arte e da memória. Horário de Visitação: 09h às 11h | 13h às 19h de segunda a sexta-feira. Deixe uma respostaCancelar resposta
O habitar como experiência psíquica: diálogos entre a Psicologia e a Arquitetura de Rafael Arcuri

A relação entre os seres humanos e seus espaços sempre foi permeada de significados que nos permitem criar e transformar formas de ser e de pensar. A Psicologia, e por extensão a Psicologia Ambiental
Modelo paramétrico paramapeamento deanomalias em fachadasde edificações

A preservação dos edifícios históricos inclui valores culturais, sociais e econômicos, pois, possibilitam que as futuras gerações reconheçam a história e a cultura patrimonial das cidades (Innocencio et al. 2020).